3 milhões.
Esse é o número de multas por Não Identificação do Condutor (NIC) aplicadas em 2024. Doze anos antes, em 2012, eram 68 mil — um crescimento de 4.300%.
O dado é da matéria do G1 de junho de 2025, que ouviu especialistas da FGV e da USP para entender por que essa penalidade cresce — e já mostramos os 5 erros mais comuns que gestores cometem ao lidar com NIC. Mas os números contam apenas parte da história. A outra parte — a humana — está no Reclame Aqui.
Fomos ao Reclame Aqui e vasculhamos dezenas de reclamações de motoristas e gestores que descobriram a NIC na prática. Pessoas que fizeram tudo certo e, mesmo assim, tomaram uma multa que não esperavam.
O padrão é perturbador: em quase todos os casos, o consumidor cumpriu a obrigação dele. A NIC veio por falha de processo de quem deveria resolver.
E sua frota pode ser a próxima.
O que o Reclame Aqui revela
As reclamações analisadas envolvem locadoras (Unidas, Mottu), montadoras (VW Sign&Drive, Stellantis/Flua) e revendedoras (Automil Multimarcas, Sorte Veículos). O ponto em comum não é o tipo de empresa — é a experiência do consumidor.
Identificamos 5 dores que se repetem em praticamente todos os relatos:
1. "Identifiquei o condutor, mas a NIC veio assim mesmo"
A reclamação mais frequente. Um consumidor da Unidas relatou que ligou para a locadora assim que recebeu a notificação, indicou o condutor, e os atendentes disseram para "desconsiderar". Dias depois, a NIC foi cobrada no cartão de crédito. A empresa respondeu três vezes com o mesmo texto padrão — sem estornar.
O sentimento de impotência é o mesmo em todos os relatos: o consumidor fez o que a lei pede, mas a NIC veio do mesmo jeito.
2. "O sistema deu erro — e quem paga sou eu"
Um caso emblemático veio da Flua/Stellantis. O consumidor enviou todos os dados de identificação do condutor quatro vezes. Em cada tentativa, o sistema respondia que "não leu a assinatura". Resultado: quatro NICs aplicadas, total superior a R$ 1.000.
A falha foi sistêmica — da empresa, não do motorista. Mas o custo caiu sobre quem já tinha cumprido a obrigação legal.
3. "Ninguém me avisou que eu precisava identificar o condutor"
Na VW Sign&Drive, o consumidor recebeu um e-mail sobre a multa sem qualquer menção à necessidade de indicar o condutor. Cinco dias depois, a NIC já estava aplicada.
A comunicação insuficiente — ou inexistente — transforma uma multa comum em uma multa dobrada, sem que o motorista sequer saiba que poderia ter evitado.
4. "A loja prometeu resolver, mas não resolveu"
Na Automil Multimarcas, o comprador pagou a multa original e enviou os dados do condutor para a loja. A loja, porém, não fez a indicação dentro do prazo. A NIC veio em nome da pessoa jurídica — que, para todos os efeitos, é o consumidor que adquiriu o veículo.
Situação parecida ocorreu com a Mottu: a empresa disse que pagaria a multa, depois recuou, e o consumidor ficou sem canal de contato para resolver.
5. "A NIC veio de antes da compra — agora é meu problema"
Na Sorte Veículos, o comprador quitou o veículo, fez o licenciamento, tudo certo. Depois descobriu que uma multa NIC de antes da compra — de responsabilidade da gestão anterior do CNPJ — agora estava em nome dele como proprietário pessoa jurídica.
Dívida que não gerou, veículo que já era seu, e a conta chegando.
O padrão que explica tudo
Repare: em nenhum desses casos o motorista "deixou de fazer a parte dele". Pelo contrário — a maioria tentou identificar o condutor, pagou a multa original, seguiu os procedimentos.
A NIC não é um problema de motorista irresponsável. É um problema de falha de gestão.
O processo de identificar o condutor depende de várias engrenagens: o sistema da empresa precisa funcionar, o atendimento precisa orientar corretamente, o cadastro precisa estar atualizado, os prazos precisam ser monitorados. Basta uma dessas engrenagens falhar — e a NIC cai no colo de quem confiou no processo.
E por que isso acontece com tanta frequência?
A matéria do G1 ajuda a explicar. Especialistas apontam que a regra atual do CTB (Art. 257) cria um incentivo perverso:
- O prazo de 30 dias parece longo, mas é curto para frotas sem um processo estruturado de monitoramento.
- A multa é "apenas" o dobro da original — sem pontos na CNH —, o que leva muitas empresas a preferir pagar a ter o trabalho de identificar o condutor.
- O resultado é que a NIC virou custo operacional aceito, e não um risco a ser evitado.
O problema é que esse "custo operacional" não é pequeno. Em uma frota de 50 veículos, uma NIC mal administrada por mês representa de R$ 5.000 a R$ 10.000 de despesa extra no ano — dinheiro que poderia estar sendo investido em manutenção, combustível ou benefícios para os motoristas.
Mas não deveria. Em uma frota de 50 veículos, uma NIC perdida por mês representa R$ 5.000 a R$ 10.000 de despesa extra no ano.
Sua frota não precisa ser a próxima
Se você chegou até aqui, já sabe o que os números do G1 mostram e o que os relatos do Reclame Aqui confirmam: a NIC é um problema real, crescente, e altamente evitável.
A boa notícia é que a solução não depende de mudar a lei. Depende de estruturar o processo de monitoramento da sua frota:
- Receba notificações em um só lugar — pare de depender de carta registrada ou e-mail perdido. Um sistema centralizado elimina o risco de uma NIC passar despercebida.
- Automatize os alertas — não confie na memória do gestor. Tenha lembretes automáticos no D-10 e D-5, com margem real para agir.
- Mantenha o cadastro de condutores atualizado — quando a notificação chega, você precisa saber em minutos quem estava com o veículo e ter os dados dele prontos para a documentação.
É exatamente isso que o AlertaPlacas faz: monitora as notificações da sua frota, emite alertas com margem de segurança e centraliza o fluxo de identificação de condutores em um único painel.
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